sexta-feira, dezembro 18, 2009

Da série ‘Música clássica não é chata’: Chopin

Com o passar dos anos, meu interesse por música clássica, pouco a pouco, foi aumentando. Sem que isso significasse, necessariamente, uma diminuição do meu apreço pela canção popular – as duas vertentes não são excludentes.

(E os Beatles estão aí para não me deixar mentir...)

Desse modo, ocorreu-me a ideia de compartilhar esse prazer com todos vocês que frequentam o blog. Evidentemente, há também a intenção de desmitificar a ideia de que a música clássica é uma arte “elitista” e... ahn, chata. Pronto, falei.

Portanto, começamos com esta que é, provavelmente, a minha peça clássica predileta: a magistral “Nocturne Op. 9 No. 2”, de Chopin [no detalhe].


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Nascido em 1810, o polaco Frédéric Chopin é considerado um dos pianistas mais importantes da história – e um dos maiores compositores para o instrumento. Sua influência permanece até os dias de hoje, e é comparada à de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven.

Sempre com a saúde frágil, morreu em Paris, em 1849, aos 39 anos, vítima de tuberculose.

Curiosidade: antes do funeral de Chopin, de acordo com a sua vontade, seu coração foi retirado. O músico temia ser enterrado vivo – leia-se: catalepsia. Sendo assim, o órgão foi posto por sua irmã em uma urna de cristal selada, com conhaque, destinada a Varsóvia, capital da Polônia.

Permanece até hoje, lacrado, dentro de um pilar da Igreja da Santa Cruz, em Krakowskie Przedmieście, debaixo de uma inscrição do Evangelho de Mateus, 6:21: “Onde seu tesouro está, estará também seu coração”.


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Outra curiosidade: em 1983, o cantor libanês naturalizado italiano Gazebo lançou uma canção em homenagem ao pianista, “I Like Chopin”, que foi sucesso no mundo inteiro.



Veja o vídeo de “Nocturne Op. 9 No. 2”, com o russo Sergei Rachmaninoff:

Os Beatles e a música clássica



E os Beatles estão aí para não me deixar mentir...”

(Da série ‘Música clássica não é chata’: Chopin)


A afirmativa de que os Beatles [no detalhe] “alçaram a música pop ao status de arte” não é mero delírio de fã. É fato.

Além das inovadoras técnicas de gravação – como o primeiro loop da história em “Tomorrow Never Knows” – e o flerte com música indiana (“Norwegian Wood”, “Love You To” e “Within You Without You”, o quarteto de Liverpool foi o primeiro a utilizar a música de câmara no pop.

Dois exemplos estão em “Eleanor Rigby” (do álbum Revolver, 1966) e “She's Leaving Home” (de Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, 1967) – canções estruturadas em elementos de música de concerto.


Ouça “Eleanor Rigby...




...e “She's Leaving Home:

Os Rolling Stones e a música clássica

Via de regra, os Rolling Stones [foto] são mais identificados pelo escárnio, pela “trangressão”. Mas o fato é que eles possuem canções tão estupendas quanto as... dos Beatles – sim, é verdade.

É o caso da tristonha “As Tears Go By”, que, por sinal, também conta com com um quarteto de cordas em seu arranjo.


Ouça “As Tears Go By:

Susan Boyle faz com que os Stones relancem ‘Wild Horses’

Ainda sobre os Stones: da noite para o dia, Susan Boyle (Susan “Bola”?) [foto] tornou-se mundialmente conhecida, após sua participação no programa de calouros Britain's Got Talent [saiba mais aqui]. E a cantora agora edita o seu primeiro disco, cuja faixa de trabalho é a belíssima “Wild Horses”, clássico dos Rolling Stones.

E os Stones, que não são bobos nem nada, aproveitaram o ensejo e relançaram a canção para venda on line.

O single digital Wild Horses apresenta três versões: a original, do álbum Sticky Fingers, de 1971; uma de 1976, gravada ao vivo em Knebworth, Inglaterra; e a contida no CD Stripped, de 1995.


Qual a sua versão preferida de “Wild Horses”? A de Susan Boyle...




...ou a dos Rolling Stones?

terça-feira, dezembro 08, 2009

E o Rio se vestiu de vermelho e preto...


Quis o destino que justamente seus dois zagueiros, David e Ronaldo Angelim, marcassem os gols que levaram o Flamengo, após um jejum de 17 anos, ao seu sexto título brasileiro.

E, diga-se de passagem, com méritos. Apesar de não ter realizado uma exibição brilhante diante do Grêmio, o Fla conseguiu a virada em cima de um adversário que, decididamente, não parecia disposto, como se especulou, a “entregar” o jogo.

Além disso, o time da Gávea obteve, ao longo da competição, vitórias importantes contra adversários diretos na briga pelo título: Palmeiras, no Palestra Itália; Atlético-MG, no Mineirão; e São Paulo, no Maracanã.

Espera-se que, com esse título, o Flamengo tenha encerrado um longo período de apatia, com direito até a ameaças de rebaixamento. E que o clube continue proporcionando alegrias à Nação – inclusive os novos torcedores, que provavelmente estão vendo o rubro-negro sendo campeão brasileiro pela primeira vez...


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E o Rio se vestiu de vermelho e preto. Literalmente.

Andrade: serenidade tipicamente mineira

O mais importante para a conquista do título foi a permanência do Andrade.”

(Zico, maior ídolo da história rubro-negra, atual técnico do Olympiakos, da Grécia)


O Galinho tem toda a razão: grande parte do mérito do hexacampeonato tem que ser dada a Andrade [foto].

Quando Cuca – que tinha problemas de relacionamento com vários jogadores – foi demitido, o ex-volante assumiu interinamente o time, embora sob desconfiança da diretoria do clube.

Efetivado no comando técnico, Andrade cativou os atletas com sua serenidade tipicamente mineira – ele nasceu em Juiz de Fora. E o elenco passou a “correr por ele”, nas palavras do lateral Léo Moura.


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Curiosidade: o Flamengo conquistou anteontem o hexacampeonato brasileiro. E a camisa que Andrade usava nos tempos de jogador era justamente a de número seis...

Petkovic: volta por cima


É curioso que o destaque do campeonato do chamado “país do futebol”, tenha sido justamente um jogador... sérvio.

Aos 37 anos, Petkovic [em foto de Alexandre Cassiano, d'O Globo] retornou esse ano ao Flamengo. Completamente desacreditado. Contudo, suas boas atuações foram, pouco a pouco, conquistando a torcida. E calando os céticos.


Vitorioso, Petkovic tinha direito a uma alfinetada em seus detratores. E anteontem, em pleno gramado do Maracanã, não perdeu a chance:


– Sou velho na idade, mas o meu espírito é jovem.


E completou:

– Sou campeão invicto. Em todas as vezes em que fui titular nesse campeonato, não perdi.


***


Uma perguntinha: enquanto técnico do Flamengo, Cuca chegou a declarar que Petkovic não poderia ser titular da equipe.


– Ele poderá entrar por alguns minutos no segundo tempo. Mas, na frente dele, existem outros jogadores que podem ser titulares.

O que será que ele deve estar pensando agora?

Adriano: volta por cima (2)


Em abril desse ano, Adriano [foto], em depressão, rescindiu com a Internazionale de Milão, e voltou ao Brasil disposto a “repensar” a carreira. Contratado pelo Flamengo, faltou a vários treinos e parecia confirmar os prognósticos mais pessimistas [saiba mais aqui].

Entretanto, o Imperador recuperou aos poucos a forma física e, consequentemente, seu bom futebol – retornando, inclusive, à Seleção Brasileira. Termina o ano com a faixa de campeão brasileiro no peito e dividindo a artilharia, com 19 gols, com Diego Tardelli, do Atlético Mineiro.

Isso é que é volta por cima...

Só existe um Ronaldo, sim. O nosso

Meses depois de o Manchester United, ironizando Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho, enaltecer Cristiano Ronaldo – na época, jogador dos Red Devils –, chegou a vez do Flamengo homenagear o seu Ronaldo, o Angelim, autor do gol do hexacampeonato.



Fluminense e Botafogo: na elite

O Botafogo, ao vencer ao Palmeiras por 2 a 1, ontem, no Engenhão, assegurou a sua permanência na Série A. Com essa derrota, o time do Palestra Itália – comandado pelo tricampeão brasileiro Muricy Ramalho –, acabou ficando de fora, inclusive, da Libertadores da América de 2010...

Mas a maior façanha foi realmente do Fluminense, do artilheiro Fred [foto]. Considerado praticamente rebaixado, o tricolor das Laranjeiras conseguiu uma reação histórica nos últimos 11 jogos e, ao empatar, anteontem, em 1 a 1 com o Coritiba, acabou derrubando o Coxa para a segunda divisão.

Com o retorno do Vasco à elite, os quatro grandes clubes do Rio disputarão a Série A no ano que vem.

O futebol carioca agradece.

Coritiba: espetáculo deprimente

Ao empatar com o Fluminense em pleno estádio Couto Pereira, o Coritiba acabou rebaixado para a Série B.

Com isso, integrantes da principal torcida organizada do time da casa protagonizaram um espetáculo deprimente: invadiram o campo e desencadearam um conflito generalizado, que deixou vários feridos.




E ainda há quem se irrite quando eu digo que, na Inglaterra, os torcedores assistem o jogo praticamente dentro do gramado [abaixo]. E ninguém invade.

Temos muito o que aprender...


segunda-feira, novembro 30, 2009

Se gritar ‘pega ladrão’, não fica um, meu irmão...

Simplesmente deplorável o vídeo que mostra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), recebendo um suspeitíssimo pacote de dinheiro. Agora, resta a Arruda a tarefa inglória de contestar as imagens – que parecem ser tão comprometedoras quanto... marca de batom na cueca.

O advogado do governador alega que o dinheiro seria destinado para “comprar panetones para distribuir na periferia da capital Federal”. Puxa, que tocante...

E afirma também que seu cliente está sendo vítima de uma “vilania torpe” por parte de seu ex-secretário, que realizou as filmagens. Oh, mundo cruel...

Na verdade, muito me espantou, na ocasião, este cidadão ter sido eleito para o governo do DF, depois do escândalo da violação do painel eletrônico do Senado, em 2001 – relembre o fato aqui.

Mas o povo merece. Agora só falta eleger a Dilma...

As aventuras de Sting no Brasil

No domingo, 22, Sting tomou café da manhã com o cacique Raoni, em São Paulo [em foto de Dennis Barbosa, do site Globo Amazônia]. Foi o primeiro encontro do músico com o líder caiapó em vinte anos – saiba mais aqui.


Sting e o seu CD player ambulante...


A intenção do inglês era chamar a atenção para o projeto de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Os caiapós – assim como outras organizações e movimentos sociais – são contrários à construção da megausina no Rio Xingu, que ainda não foi licitada por falta de licença ambiental prévia.

Na noite daquele mesmo dia, o ex-Police encerrou o festival Natura Nós – About Us, realizado na Chácara do Jockey, na capital paulista. E cumpriu a promessa: não tocou nenhuma (!) canção de seu novo CD, o invernal If On A Winter's Night.... Em um formato de power trio, apresentou apenas sucessos de sua carreira solo e clássicos de sua antiga banda.

No bis, com “Fragile”, chamou Raoni ao palco [veja abaixo].


Muy amigo....




Veja dois momentos do show – em vídeos gravados por fãs: “Message In a Bottle...






...e uma ótima versão de “Desert Rose:







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Três dias depois, o baixista foi flagrado caminhando tranquilamente na praia de Ipanema [abaixo, em foto do site Ego]. E sozinho.

Com isso, acabou, sem querer, dando uma bela sacaneada naqueles que tanto criticam a violência do Rio. Inclusive este que vos fala...


quinta-feira, novembro 19, 2009

Sting: quando o inverno chegar...


CD
If On A Winter's Night... (Deutsche Grammophon / Universal Music)
2009



Ex-Police mostra-se introspectivo em ‘If On A Winter's Night...’, seu novo CD solo


Após ter reativado, para surpresa geral, o The Police – naquela que foi a mais turnê lucrativa turnê mundial de 2007/2008 –, Sting ressurge, agora barbudo, e com um novo CD solo. E mantendo, coerentemente, o velho hábito de fazer exatamente aquilo que não se espera dele.

Em If On A Winter's Night..., o músico dedica-se inteiramente ao inverno – sua estação do ano predileta –, em um trabalho em que o formato pop rock simplesmente... inexiste. “O inverno, como temática, é rico em material e inspiração”, declarou recentemente.

O disco chega às prateleiras através do selo clássico Deutsche Grammophon – com edição nacional via Universal Music –, a exemplo de seu antecessor, Songs From The Labyrinth (2006), considerado o mais bem sucedido álbum de alaúde da história.

De modo introspectivo, o baixista mergulha na tradição britânica, em temas como “The Snow It Melts the Soonest” – balada de Newcastle, sua cidade natal, situada no norte da Inglaterra – e “Gabriel's Message”, que data do século XIV. Também há espaço para adaptações de peças clássicas, como “Der Leiermann”, do austríaco Franz Schubert, que tornou-se “The Hurdy-Gurdy Man”.

Apenas dois temas são verdadeiramente autorais: a boa “The Hounds of Winter”, originalmente gravada em Mercury Falling, de 1996, e “Lullaby For An Anxious Child”, lado B do single “You Still Touch Me”, do mesmo ano.

You Only Cross my Mind in the Winter”, apesar de letrada por Sting, é, na verdade, um tema do compositor alemão Johann Sebastian Bach. De modo inverso, o compositor de “Roxanne” musicou, em parceria com a harpista escocesa Mary Macmaster, “Christmas At Sea”, poema de Robert Louis Stevenson, autor de O Médico e o Monstro e A Ilha do Tesouro.

If On A Winter's Night... poderá agradar àqueles que aprenderam a apreciar o lado... hum, erudito do ex-Police. Entretanto, os que preferem o Sting pop de “If I Ever Lose My Faith In You” deverão manter distância desse CD – ainda que o mesmo “cresça” a cada audição. Com este álbum, o músico parece querer afirmar que, artisticamente, não se considera “refém” de nada: nem de seu antigo trio, nem de seus sucessos solo. E nem de qualquer coisa que “limite” a sua música.


P.S.: Vale lembrar que, apesar de ter se mantido na ativa durante todo esse tempo, Sting editou o seu último álbum de canções inéditas, Sacred Love, em 2003...

Sting: ‘globalização’ na ficha técnica

If On A Winter's Night... “nasceu” na cozinha da casa de Sting [foto], uma villa de 600 acres situada na região da Toscana, na Itália, onde o artista reside há mais de uma década. Inclusive, a dobradinha CD/DVD ao vivo ...All This Time, de 2001, foi gravada lá.

Para acompanhá-lo na empreitada, foram convidados instrumentistas de diferentes nacionalidades: a harpista escocesa Mary Macmaster; o trompetista libanês Ibrahim Maalouf; o violoncelista francês Vincent Ségal; o guitarrista argentino Dominic Miller – que trabalha com o ex-Police desde 1991; o violinista Daniel Hope; além da violinista Kathryn Tickell e de Julian Sutton (melodeon), músicos originários de Newcastle, cidade onde Sting nasceu.

If On A Winter's Night... também conta com as participações especiais do duo inglês Webb Sisters, do trompetista americano Chris Botti e do percussionista brasileiro Cyro Baptista.

‘Songs From The Labyrinth’

(...) seu antecessor, Songs From The Labyrinth (2006), considerado o mais bem sucedido álbum de alaúde da história.

(“Sting: quando o inverno chegar”)


Mesmo não tendo sido um CD de inéditas [saiba mais aqui], Songs From The Labyrinth [no detalhe, a capa] foi o disco de estúdio anterior a If On a Winter's Night...

No repertório, canções do compositor elizabetano John Dowland (1563-1626), estruturadas na sonoridade do alaúde. O bósnio Edin Karamazov dividiu com Sting a execução do instrumento neste trabalho.

Leia a resenha completa de Songs From The Labyrinth clicando aqui.


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No século XV, o alaúde [abaixo] era considerado o “instrumento-rei”, desfrutando de enorme popularidade na Europa.

Com suas 23 cordas – e muito semelhante à cítara indiana –, caiu em desuso por volta de 1800, dando lugar a instrumentos de teclas.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘If I Ever Lose My Faith In You’, de Sting

(...) o Sting pop de “If I Ever Lose My Faith In You...




Depois de um álbum denso e melancólico como The Soul Cages (1991) – gravado ainda sob o impacto do desaparecimento de seu pai –, Sting reapareceu, dois anos depois, surpreendentemente pop com “If I Ever Lose My Faith In You”.

Originalmente lançada no CD Ten Summoner's Tales [no detalhe, a capa], a faixa esbanja alto astral, apesar do ceticismo da letra (“Você diria que perdi minha fé na Ciência e no progresso / você diria que perdi a crença na Santa Igreja. / (...) Você diria que perdi a confiança em nossos políticos / para mim, todos eles se parecem animadores de auditório”).

Em suma, a canção afirma que a estabilidade emocional é a melhor - ou, talvez, a única - forma de se “refugiar” do cinismo do mundo moderno. Destaque para o clipe, com suas belas imagens épicas.



Veja o vídeo de “If I Ever Lose My Faith In You:

O sagrado (e multifacetado) amor de Sting

...Sting editou o seu último álbum de canções inéditas, Sacred Love, em 2003...

(“Sting: quando o inverno chegar...”)


O mais recente álbum de inéditas de Sting, Sacred Love, de 2003 (!), causa algum estranhamento nas primeiras audições, devido à eletrônica utilizada em faixas como “Forget About The Future” e, principalmente, “Never Coming Home”.

Mas o ouvinte mais atento logo percebe que, em meio aos sequenciadores, há elementos nada usuais nas pistas de dança como o violão flamenco – cortesia do espanhol Vicente Amigo em “Send Your Love” –, bongôs marroquinos e improvisos de jazz.

O que faz concluir que Sting, obviamente, jamais se permitiria cair na... obviedade.

Nas letras, o bom nível de sempre, desde a tensa e claustrofóbica “Inside” (“Aqui dentro, está mais frio do que nas estrelas / Aqui dentro, os cães estão uivando”), que abre os trabalhos, passando pela raivosa “This War”, até a otimista faixa-título, que fecha o CD.

A delicada “Dead Man's Rope” menciona “dor”, “vazio”, “raiva” e “angústia” e, depois, a “doce chuva do perdão”, através do “amor de Jesus”. E cita “Walking In Your Footsteps”, de Synchronicity, último trabalho do Police. Já os engenhosos versos de “Stolen Car (Take Me Dancing)” contam a estória do sujeito que rouba o carro de um ricaço, e enquanto dirige, começa a se imaginar na vida do dono do veículo.

The Book Of My Life”, belíssima, usa a metáfora de um livro – no caso, Fora do Tom, a ótima autobiografia do cantor – para refletir sobre a vida: “Porque o fim é um mistério, que ninguém consegue ler / no livro de minha vida.” E traz a boa participação da citarista Anouskha Shankar – sim, filha de Ravi Shankar, o homem que, indiretamente, introduziu os sons indianos na música dos Beatles.

O ponto alto do disco, entretanto, é o soul “Whenever I Say Your Name”, dueto com Mary J. Blige.

Sacred Love, de um modo geral, é um bom álbum. Mas já se passaram seis anos desde o seu lançamento. De onde se conclui que passou da hora de Sting providenciar o seu sucessor...



P.S.: Devido à fria recepção à eletrônica de Sacred Love, o ex-Police regravou, ao vivo, todas as faixas do álbum no DVD Inside The Songs Of Sacred Love – mas excluindo dos arranjos os sequenciadores, e dando mais ênfase ao jazz. E, cá para nós, as canções soaram bem melhores assim...



Veja o vídeo de “Whenever I Say Your Name”, com Sting e Mary J. Blige:

Mary J. Blige

A supracitada Mary J. Blige [foto] possui dez álbuns em seu currículo.

Além da mencionada colaboração com Sting, a americana já participou de duetos com Elton John – a (fraca) versão ao vivo de “I Guess That's Why They Call It The Blues” – e George Michael – a excelente gravação de “As”, clássico de Stevie Wonder.


Veja “I Guess That's Why They Call It The Blues”, com Elton John e Mary J. Blige:




E o interessante vídeo de “As”, dueto da cantora com George Michael:

Sting e o ‘outono’

...a boa ‘The Hounds of Winter’, originalmente gravada em Mercury Falling, de 1996...





Mercury Falling [no detalhe] foi o álbum que Sting editou em 1996 – cuja faixa inicial era “The Hounds of Winter”, em versão superior à regravada pelo músico em seu recém-lançado trabalho, If On a Winter's Night....

Gravado em um período de suposta “crise de meia-idade” do ex-Police, o CD mostra desencanto já na foto da capa, que flagra o músico com um semblante de quem está atolado em dívidas...

Em entrevista da época, Sting declarou: “Tenho que aceitar a ideia de que estou ficando velho. E que vou morrer.” O próprio título do disco menciona, ainda que de forma metafórica, o “crepúsculo”: o mercúrio (do termômetro) descendo. A temperatura caindo. O outono. O ocaso.

Entretanto, as canções do álbum, curiosamente, não transparecem essa melancolia. Pelo contrário: há temas bastante “otimistas”, como o pseudo-gospel “Let Your Soul Be Your Pilot” – que foi o primeiro single de trabalho – e a pop “You Still Touch Me”.

Apesar de apresentas faixas menos inspiradas – como “Twenty-Five To Midnight” e o reggae placebo “All Four Seasons” –, o CD está repleto de bons momentos. Exemplos: a celta “Valparaiso” e a curiosa bossa nova em francês “La Belle Dames San Regrets”, cuja introdução é algo... hum, “sambista”, com direito à cuíca (!).

No quesito letra, Sting continuou à margem do superficial. A narrativa de “I Hung My Head”, presumivelmente ambientada no século XVIII, fala sobre um indivíduo que, disparando seu rifle a esmo contra uma colina, atinge acidentalmente – e fere de morte – um cavaleiro. Julgado, acaba condenado à guilhotina. Foi gravada de modo pungente pelo lendário Johnny Cash no CD American IV: The Man Comes Around, de 2002.

Já o country “I'm So Happy I Can't Stop Crying” fala sobre um homem cuja esposa o abandonou (“Ela aparece para perguntar como estou. Diz: ‘Você está bem? Estou preocupada com você. Você me perdoa? Quero que seja feliz’.”). E que, passada a tristeza inicial, aceita a separação (“Algo me fez sorrir / algo parece aliviar a dor / algo sobre o Universo / e como está tudo conectado”). Em 1997, recebeu uma versão do americano Toby Keith, com participação do próprio Sting.

Contudo, o ponto alto do disco, é a abrasileiradaI Was Brought To My Senses”, dona de versos “existencialistas” (“Pela primeira vez, vi a obra Divina / na linha onde as colinas se encontram com o céu”) e belas imagens (“Seríamos como a lua e sol /e, quando a nossa delicada dança no céu houvesse terminado seu curso, / então repousaríamos juntos”).

Mercury Falling termina com uma mensagem de esperança na rural “Lithium Sunset”* (“Tenho estado amedrontado / tenho estado despedaçado / (...) mas ficarei melhor”). O verso final, todavia, não deixa de constatar: “Vejo o mercúrio descendo...



* “Lithium Sunset” – “Crepúsculo de Lítio”. O lítio é o mais conhecido “estabilizador de humor”, amplamente utilizado na prevenção de crises depressivas e bipolares.




Veja o vídeo de “I Was Brought To My Senses:



E também “The Hounds Of Winter”, com participação do violoncelista brasileiro Jacques Morelenbaum:

Em seu novo livro, Stewart Copeland fala sobre o Police

O (estupendo) baterista do Police, Stewart Copeland [foto], 57 anos, acaba de lançar um novo livro. Espécie de “diário de viagens”, Strange Things Happen, inclui relatos de escapadas de leões no Congo e até vitórias em partidas de pólo contra o Príncipe Charles.

Mas Copeland não poderia deixar de falar sobre os (turbulentos) bastidores da turnê de seu famoso trio. Em entrevista recente, o americano falou sobre a provável reação de Sting ao livro:

– Não consigo imaginar que ele [Sting] vai lê-lo. Ele nunca assistiu ao meu filme [nota: o DVD Everyone Stares: The Police Inside Out]. Ele vai ler todas as partes do livro, exceto as que são sobre ele. Ele é completamente alérgico a ler qualquer coisa sobre ele, ou ver fotos deles.

E aproveita para desmitificar:

– Sting não tem nada disso [de egocentrismo]. Ele não é aquele cara que muita gente pensa. É uma pessoa sem um pingo de afetação, a pessoa menos vaidosa que você poderia imaginar. Ele é real – pura música. E também melancolia. Ele nasceu com uma química cerebral que não faz dele um cara feliz. Mas acho que é dessa melancolia que vem a sua grande arte.

Sobre um novo CD do Police, Copeland foi sincero:

– Um novo álbum, provavelmente não. Odeio entrar no estúdio para gravar bateria. E a versão mais dolorosa de algo que eu já odeio fazer é entrar no estúdio com o Police. É incrível subir no palco com aqueles dois filhos da mãe – eles são monstros da música. Mas entrar no estúdio sem aquelas 80.000 pessoas vibrando com a gente é um verdadeiro inferno...

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Primavera (Vai Chuva)’, com Tim Maia

Ah, sim: a canção citada no título da resenha do CD novo de Sting é a comovente “Primavera (Vai Chuva)”, de Genival Cassiano e Sílvio Rochael.

Lançada por Tim Maia [foto] em seu primeiro álbum, epônimo, de 1970, a faixa mantém o seu encanto inalterado – mesmo depois de quase quatro décadas (!).

E, cá para nós, o “Síndico” é um artista que faz muita, muita falta...



Veja o vídeo de “Primavera (Vai Chuva)”, com Tim Maia:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Gostava Tanto de Você’

Onze anos após o seu desaparecimento, a influência de Tim Maia na música brasileira não perdeu sua força. Exemplo disso é a recente gravação de “Gostava Tanto de Você”, cometida pela cantora Tânia Mara que, impulsionada pela novela Viver a Vida, tem obtido boa execução radiofônica.

Há quem diga que “Gostava Tanto de Você”, composta por Édson Trindade, não fala de uma desilusão amorosa. Trindade, morto em 1993, teria escrito os versos da canção em homenagem à filha, que falecera.

A versão de Tânia Mara é até... correta, conferindo à faixa a melancolia condizente com a letra*. Mas o registro de Tim Maia, lançado originalmente em 1973, continua imbatível...


* Mas é importante frisar que Leila Pinheiro já havia gravado esta canção – e de modo semelhante – há alguns anos atrás...



Veja o vídeo de “Gostava Tanto de Você”, com Tânia Mara...




...e também com Tim Maia. Qual você prefere?

Sting e o Brasil

A ligação de Sting com o Brasil teve início na segunda metade da década de 1980.

Na ocasião, o músico engajou-se em uma campanha pela preservação da Amazônia, levando, inclusive, o cacique Raoni [foto] para a sua turnê europeia – o que rendeu muitas chacotas para ambos. Até de “CD player do Sting” o pobre indígena foi chamado...

Na entrevista de divulgação de seu show no Natura Nós – About Us, o inglês declarou-se fã de Gilberto Gil e Caetano Veloso, além de Antônio Carlos Jobim, é claro.

Com Jobim, aliás, Sting gravou uma belíssima versão de “How Insensitive (Insensatez)”, lançada no último álbum do Maestro Soberano, Antônio Brasileiro, de 1994.


***


Em sua autobiografia, Fora do Tom, Sting conta que o Police, no momento da assinatura do contrato com a A&M Records – o primeiro da carreira do trio –, recebeu autorização do diretor da companhia para retirar no depósito da gravadora, “como cortesia”, os discos que desejasse.

O baixista não teve dúvida: apanhou a discografia completa de Antônio Carlos Jobim...



Veja o vídeo de “How Insenstive (Insensatez)”, com Antônio Carlos Jobim e Sting:

Sting no Brasil


Por sinal, no próximo sábado, 21, Sting [em foto de Ivan Milutinovio, da agência Reuters] realizará o show de encerramento do festival Natura Nós – About Us, na Chácara do Jockey, em São Paulo.

Para surpresa geral, o baixista já avisou que, no set list, não haverá nenhuma canção (!) de seu CD novo, If On A Winter's Night.... Acompanhado por sua banda – “de rock”, como fez questão de frisar – ele tocará clássicos do Police e sucessos de sua carreira solo.

A considerar a sua recente apresentação no Uzbequistão, este é o provável roteiro:



* “If I Ever Lose My Faith In You
* “Message In A Bottle
* “Englishman In New York
* “Synchronicity II
* “Every Little Thing She Does Is Magic
* “If You Love Somebody Set Them Free
* “Fields Of Gold
* “Driven To Tears
* “Seven Days
* “Walking On The Moon” / “Tea In The Sahara
* “Shape Of My Heart
* “Wrapped Around Your Finger
* “Bring On The Night” / “When The World Is Running Down
* “Roxanne
* “Desert Rose
* “King Of Pain
* “Every Breath You Take

Bis:

* “Fragile

quinta-feira, novembro 05, 2009

Caetano: ‘Marina Silva não é analfabeta como Lula’


Com três shows da turnê Zii e Zie agendados para o próximo fim de semana na capital paulista, Caetano Veloso [foto] concedeu entrevista exclusiva ao jornal Estado de São Paulo. E, ao manifestar seu entusiasmo com a senadora Marina Silva (PV-AC) – provável candidata ao Palácio do Planalto em 2010 –, não deixou de alfinetar o presidente Lula:

– Não posso deixar de votar nela. É “por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar”*. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem.

Contudo, ao mencionar o governador de SP, José Serra, não deixou de elogiar Lula – ainda que de modo enviesado:

– O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia de direita. E ouve os conselhos de Delfim Neto, que o Serra não ouviria. O Lula foi “mais realista que o rei”. Foi bom – a economia deslanchou**.

O compositor baiano ainda mostrou-se simpático à candidatura do governador de Minas Gerais, Aécio Neves:

– Os candidatos são todos de nível bom. Vou falar em Aécio, de quem eu gosto muito. Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio.

Mas desdenhou da capacidade administrativa da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff:

– Ela tem um trabalho de pura gestão, mas sem experiência de poder político direto. Nunca foi eleita a coisa nenhuma.


Leia a entrevista de Caetano Veloso, na íntegra, clicando aqui.



* Citação a “Base de Guantánamo”, do CD Zii e Zie. Leia a resenha aqui.

** Nesse trecho, Caetano chutou na trave. A economia “deslanchou”? Só se for para os especuladores estrangeiros, que ganham 16% de juros reais ao mês no Brasil – algo impensável em qualquer lugar do mundo. Caetano deveria perguntar ao chamado “setor produtivo” se a economia realmente “deslanchou”...

Da série ‘Perguntar não ofende’: simulacro do inferno

Perguntar não ofende: será que existe alguém nessa cidade que tolera um calor desses?


quarta-feira, outubro 28, 2009

Divulgado repertório do box de Paul McCartney


Em julho desse ano, Paul McCartney realizou três shows no estádio Citi Field, em Nova York. As apresentações foram gravadas, e se tornarão o box Good Evening New York City, composto de dois CDs e um DVD, que chega às prateleiras no dia 17 de novembro.

Além dos sempre oportunos clássicos dos Beatles e dos Wings, o set list apresenta canções mais recentes da carreira solo de Macca – como “Only Mama Knows”, a delicada “Calico Skies” e “Flaming Pie” – e dois temas de Electronic Arguments, último álbum do The Fireman, projeto paralelo do baixista – “Highway” e a ótima “Sing The Changes”.

Good Evening New York City também estará disponível em uma edição deluxe, que trará mais um DVD, com a apresentação de Paul na marquise do Ed Sullivan Theatre, também em Nova York, no dia 15 de julho – onde foi tirada a foto que ilustra este post. A performance foi ar no programa Late Show With David Letterman.

As faixas de Good Evening New York City:

CD 1
Drive My Car
Jet
Only Mama Knows
Flaming Pie
Got To Get You Into My Life
Let Me Roll It
Highway
The Long And Winding Road
My Love
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Calico Skies
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Sing The Changes
Band On The Run

CD 2
Back In The USSR
I'm Down
Something
I've Got A Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life”/ “Give Peace A Chance
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude
Day Tripper
Lady Madonna
I Saw Her Standing There
Yesterday
Helter Skelter
Get Back
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”/ “The End

DVD
Drive My Car
Jet
Only Mama Knows
Flaming Pie
Got To Get You Into My Life
Let Me Roll It
Highway
The Long And Winding Road
My Love
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Calico Skies
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Sing The Changes
Band On The Run
Back In The USSR
I'm Down
Something
I've Got A Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life”/ “Give Peace A Chance
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude
Day Tripper
Lady Madonna
I Saw Her Standing There
Yesterday
Helter Skelter
Get Back
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”/ “The End

A edição brasileira da Billboard

A conceituada revista Billboard iniciou esse mês as suas atividades no Brasil. E já começou acertando*: a matéria de capa fala dos bastidores da turnê de 50 anos de carreira de Roberto Carlos [no detalhe].

A primeira edição traz uma entrevista exclusiva com Paul McCartney, que se mostra surpreso com o (enorme) interesse do planeta pela música dos Beatles, quase quatro décadas após a dissolução da banda.

E também uma interessante matéria sobre a única fábrica de discos de vinil da América Latina (!), situada no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

O TomNeto.com deseja êxito e vida longa à Billboard Brasil. Publicações musicais são sempre muito bem-vindas.


* Ainda que boa parte da imprensa queira ignorar o fato, a obra de Roberto Carlos é de suma importância para o cancioneiro popular brasileiro, sim. E isto, decididamente, é notícia.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Flamengo: a revista

Seguindo o exemplo de clubes como F. C. Porto, Manchester United e Barcelona, o Flamengo acaba de lançar a sua revista oficial [no detalhe].

Com periodicidade mensal, trata-se – independentemente de preferências clubísticas – de um produto realmente caprichado. E que, obviamente, agradará em cheio aos torcedores rubro-negros.

Os destaques da primeira edição são: uma reveladora entrevista com Adriano, que fala sobre o seu retorno ao Brasil; inaugurando a série “Heróis”, o eterno ídolo Zico, claro; reportagem com o goleiro Júlio César, atualmente na Inter de Milão, que relembra o seu período na Gávea; direto da divisões de base do clube, o perfil do promissor Matheus, filho da tetracampeão Bebeto; e também a coluna de Arthur Muhlenberg, dono do hilário Urublog.

Já nas bancas.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Follow You, Follow Me’, do Genesis

Em tempos de Twitter, onde todos – ou quase* todos – ficam deslumbrados com a ideia de serem “seguidos” pelo maior número possível de pessoas, uma canção deveras adequada é a belíssima “Follow You, Follow Me”, do Genesis [foto].

Lançada originalmente no álbum And Then There Where Three, de 1978, a faixa mantém o seu encanto inalterado, mesmo depois de mais de três décadas.

E passou a fazer muito mais sentido atualmente, quando o verbo to follow – assim como o seu antônimo: unfollow** – passou a ser mais conjugado do que nunca...

Fortíssima candidata a “Melô do Twitter”.


Seguirei você – você me seguirá?

(Collins – Banks – Rutherford)


* Eu, por exemplo: embora até tenha o meu, não dou muita bola para esse troço. Mas, gentilmente, sempre “sigo” a quem me “segue”.

** Para o qual, não existe correlato na Língua Portuguesa.


Da série ‘Frases’: Caetano Veloso

Tudo é mesmo muito grande assim. Porque Deus quer.”

(“Minha Mulher”, Caetano Veloso, CD Jóia, 1975)


terça-feira, outubro 20, 2009

A PEC da música


Conforme nos foi informado através de comentário no post anterior, a PEC da Música será votada amanhã, dia 21, às 14h, na Câmara dos Deputados [foto], em Brasília.

Após dois anos de tramitação, a Proposta de Emenda Constitucional 98/07, de autoria do deputado Otávio Leite, propõe o corte dos impostos sobre CDs/DVDs e também sobre arquivos digitais – cujos índices, hoje, são de 30% e 35%, respectivamente.

O que iria desonerar de maneira considerável o preço final do produto.

São necessários 308 votos, de um total de 513 parlamentares da Casa. Portanto, para aqueles que apreciam música, fica aqui o nosso pedido: divulguem essa informação o máximo possível. Em redes de relacionamento, blogs, e-mails, etc.

Afinal, esta é uma emenda de suma importância para que o combalido mercado fonográfico nacional possa reagir.

A música brasileira agradece.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Da série ‘Polaroides do Rio’: violência

Ninguém vê onde chegamos: os assassinos estão livres. Nós não estamos.”


(“O Teatro dos Vampiros”, Dado Villa-Lobos – Renato Russo – Marcelo Bonfá, CD V, 1991 )




Uma imagem ainda vale mais do que mil palavras...

terça-feira, outubro 13, 2009

‘Baby de Babylon’: a música nova de Lulu Santos


A exemplo de Roberto Carlos e Michael Jackson, quem também está de música nova é Lulu Santos [foto]. Chama-se “Baby de Babylon”, e soa como uma mistura de “Fogo de Palha” (do CD Calendário, 1999) com “Já É!” (de Bugalu, 2003).

Essa é a primeira faixa de trabalho de Singular, o novo álbum de Lulu, que já se encontra em fase de mixagem. Produzido pelo próprio Lulu em colaboração com Dr. Beat’n Guy – codinome de Hiroshi Mizutani, tecladista da banda do cantor –, tem lançamento previsto para novembro, pela EMI. É o 22º disco de Lulu Santos.

Baby de Babylon”, por sinal, faz parte da trilha sonora de Viver a Vida, nova novela das oito.



Ouça “Baby de Babylon:

‘This Is It’: a ‘nova’ música de Michael Jackson

A necrofilia continua: à meia-noite do dia 12 de outubro, “This Is It”, a “nova” música de Michael Jackson, foi disponibilizada para audição on line no site oficial do cantor.

Com vocais dos Jacksons, esta será a faixa-título do documentário [no detalhe] sobre a última – e sequer iniciada – turnê de MJ, que estreará nos cinemas do mundo inteiro no dia 28 desse mês.

Na realidade, “This Is It” não é tão “nova” assim: data de 1983, e faria parte do repertório de Dangerous (1991), tendo sido excluída da seleção final.

Outra curiosidade: o compositor canadense Paul Anka, autor de “My Way” e “Put Your Head On My Shoulder”, tem direito a 50 % dos direitos autorais da canção – que, na verdade, vem a ser uma parceria de Jackson e Anka, batizada de “I Never Heard”, gravada pela obscura cantora portorriquenha Sa-Fire em 1991.

This Is It” – por sinal, uma bela faixa – será lançada oficialmente na coletânea homônima que chegará às prateleiras ainda em outubro, em CD duplo.



Ouça “This Is It:

quarta-feira, outubro 07, 2009

Rio 2016: a surpresa

Não posso negar: foi com enorme surpresa que recebi a notícia de que o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. A bem da verdade, todo mundo deve ter ficado surpreso.

Mas ninguém admite...

Afinal, todos sabemos que o Rio é deficitário em aspectos fundamentais para uma competição desse porte, como transporte, hotelaria e, principalmente, segurança. Em praticamente todos os bairros da cidade, para qualquer direção que se olhe, vemos gigantescas “comunidades”, onde pessoas vivem em condições sub-humanas.

E, em contra-partida, Madri, hoje – repito: hoje – já está pronta para as Olímpíadas.

Ora, então por que diabos o Rio foi escolhido?

Bem, é difícil dizer. Provavelmente, há a questão política de a América do Sul jamais ter sediado Jogos Olímpicos. Mas seria ingenuidade ignorar que o lobby de grandes empresas estrangeiras – ávidas para realizar as obras na cidade nos próximos sete anos – pode ter sido decisivo.

Entretanto, jamais saberemos ao certo.


***


De qualquer forma, como carioca, é óbvio que fiquei orgulhoso pela vitória. E espero que o evento traga benefícios para a cidade.

Mas espero também que não passemos vergonha perante o mundo...

Lula: de quina para a lua

Verdade seja dita: a despeito dos (inúmeros) escândalos políticos ocorridos em seu governo, o presidente Lula [foto], no cômputo geral, tem muito o que comemorar.

Durante os seus dois mandatos, o Brasil tornou-se autossuficiente na produção de petróleo – embora seus antecessores também tenham mérito nisso; pagou os juros da dívida externa ao FMI – e, o mais importante, não voltou a pedir empréstimos ao Fundo*; irá sediar novamente uma Copa do Mundo; e agora, pela primeira vez... será palco das Olimpíadas.

Por todas essas façanhas – e outras mais – Luiz Inácio da Silva, já entrou, como ele mesmo diz, para a História desse país. Queiram alguns ou não.

Vai ser sortudo assim lá em Copenhage...


***


E, cá para nós: que belo discurso ele fez na cerimônia do COI, não?


* Aliás, pela primeira vez, o Brasil tornou-se credor do FMI, acredita? Saiba mais clicando aqui.

Da série ‘Perguntar não ofende’: ‘Patriotismo’


No dia do anúncio da vitória do Rio como cidade-sede das Olímpiadas 2016, fui ao shopping. E, no local, vocês não imaginam o que havia de gente vestida com a camisa da Seleção Brasileira.


Perguntar não ofende: por que as pessoas só se lembram que são brasileiras em datas como essas? Por que todo esse “patriotismo” – entre aspas, claro – não é permanente?

Por que somente em épocas de eventos esportivos internacionais a população deixa de achar “cafonas” as cores da bandeira*? (Várias e várias vezes, já ouvi comentários do tipo: “Verde-e-amarelo? Eu, hein? Parece até bandeira do Brasil...”)

Alguém sabe responder? Cartas para a redação.



* Em outros países – como Portugal, por exemplo – é muito comum ver bandeiras hasteadas em restaurantes, shoppings, e até mesmo em residências (!). Aqui no Brasil, somente em órgãos públicos. E só porque é obrigatório...

Da série ‘Só para constar’: ‘A cidade mais linda do mundo’

Só para constar: mesmo tendo nascido aqui, não tenho a menor paciência com essas pessoas que, repletas de arrogância, afirmam peremptoriamente que o Rio de Janeiro é “a cidade mais linda do mundo”. E sem jamais ter ido a nenhum lugar depois de Saquarema...

(Algo semelhante ocorre em Copas do Mundo: o Brasil é que é o “país do futebol”. O resto é tudo “gringo”. Ninguém sabe jogar bola. Depois, voltam para casa, chorando...)

Na semana passada, repórteres entrevistavam populares antes do anúncio da cidade-sede das Olimpíadas 2016. E todos eram unânimes em dizer: “Que Madri, que nada! O Rio já ganhou!”

Pergunto: e se perdêssemos? Imaginem as caras de tacho...

O Rio é lindo, sim. Ou, pelo menos, a orla da cidade. Mas, ao redor do mundo, existem outras cidades tão bonitas quanto.

E, se “respeito é bom, e a gente gosta”, por que não começar a respeitar os outros?



O Rio de Janeiro “continua lindo”, não é mesmo?

segunda-feira, setembro 28, 2009

André Dias: zagueiro ‘de time grande’...

Na semana passada, o zagueiro André Dias, do São Paulo, fez duras críticas ao Flamengo [leia a matéria aqui]:

- Foi a pior experiência da minha carreira. Estava em um clube que queria se mostrar grande, mas que, na verdade, não é. É um clube que não tem estrutura alguma. De campo, de tudo. Não tem nem comparação com o São Paulo. Sofri muito nessa época.

André jogou no Flamengo entre 2002 e 2003 – quando atendia pelo apelido de André Paraná. Além de ter amargado três meses sem salário na Gávea, o zagueiro não caiu nas graças da nação rubro-negra.

Apesar da deselegância, as palavras do atleta têm algum fundamento: considerando o tamanho de sua torcida, o Flamengo realmente poderia ter uma estrutura muito melhor...


***


Entretanto, André Dias provavelmente não é o jogador indicado para tecer tais críticas. Ontem, por exemplo, na partida entre São Paulo e Corinthians, André fez um desastroso recuo para o goleiro Bosco, que acabou resultando no gol de Ronaldo Fenômeno*.

Veja o vídeo abaixo e diga se isso é uma jogada digna de um zagueiro “de time grande”. Ou de peladeiro de fim-de-semana...





* Cá para nós: esse Ronaldo é muito sortudo...

segunda-feira, setembro 21, 2009

Da série ‘Parcerias’: Roberto & Erasmo nos últimos dez anos


O luto guardado por Roberto Carlos pela morte de sua esposa, Maria Rita, fez com que a sua parceria com Erasmo Carlos sofresse uma vertiginosa queda de produção na última década. Nos únicos três álbuns de estúdio que o Rei lançou em dez anos – os demais foram discos ao vivo ou projetos especiais, como Duetos (2006) –, há apenas cinco (!) parcerias inéditas com seu amigo de fé, irmão camarada.

O motivo: abalado, RC preferiu compor solitariamente durante esse período.

Na compilação 30 Grandes Sucessos, lançada em dezembro de 1999 – quando o estado de saúde de Maria Rita se agravou, e Roberto não teve condições de gravar um novo trabalho –, a única música nova era “Todas as Nossas Senhoras”, composta com Erasmo.

No CD Amor sem Limite, de 2000, o primeiro após o desaparecimento de Maria Rita, a única parceria inédita da dupla foi a bela “Tu És a Verdade, Jesus”. As outras duas canções que levavam a assinatura dos parceiros - “Mulher Pequena” e “Quando Digo que te Amo” - foram originalmente lançadas em 1993 e 1996, respectivamente.

Pra Sempre, que chegou às prateleiras em 2003, trazia somente duas faixas novas escritas por Roberto e Erasmo: a questionadora “Seres Humanos” e o bem-humorado blues “O Cadillac”.

No disco epônimo de 2005, a única inédita de RC com o Tremendão foi “Arrasta uma Cadeira”, gravada na companhia de Chitãozinho & Xororó. As demais – “Promessa” e “A Volta” – eram, na verdade, canções antigas que jamais tiveram registro na voz do Rei até então, além de “O Baile da Fazenda”, originalmente lançada em 1998.

Já nos discos de carreira que Erasmo Carlos editou desde 1999 – Pra Falar de Amor (2001), Santa Música (2004) e Rock ‘N’Roll (2009) – não há nenhuma parceria inédita da dupla. Pra Falar de Amor trazia a assinatura da dupla na boa “Qualquer Jeito”, versão de “It Should Have Been Easy”. Mas a faixa foi presenteada em 1987 à cantora Kátia, “afilhada” artística de Roberto e Erasmo. E obteve razoável execução radiofônica na ocasião.

Entretanto, os autores de “É Preciso Saber Viver” já confirmaram que existem quatro novas canções da dupla para o próximo CD de estúdio de Roberto, cujo lançamento está previsto para 2010.