quarta-feira, dezembro 31, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Almost Home’, de Moby



Um ano após a tocante “The Perfect Life” ter se tornado o tema da menina autista interpretada brilhantemente por Bruna Linzmayer em Amor à Vida, Moby emplacou mais uma no horário nobre global. 

A bela “Almost Home” — com participação do cantor indie Damien Jurado nos vocais — integra a trilha sonora de Império, atual novela das nove.

Por sinal, o álbum que abriga as duas canções, Innocents, de 2013 [no detalhe, a capa], vale a audição.



Veja o vídeo de “Almost Home:

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Vai Passar’, de Chico Buarque



“(...) E pode despertar o interesse do mercado internacional de rock para o autor de ‘Vai Passar’...”




Analisando nos dias de hoje, não deixa de ser irônico lembrar que Chico Buarque finalizou o seu álbum epônimo de 1984 [no detalhe, a capa] com o samba “Vai Passar”, que trazia os seguintes versos:


Dormia a nossa pátria, mãe tão distraída,
sem perceber que era subtraída
em tenebrosas transações...”



sexta-feira, dezembro 12, 2014

Sérgio Vid ousa ao reler Chico em roupagem roqueira e com letras em inglês


CD 
Rock ‘N’ Chico (independente)
2015 
(Foto: Elias Nogueira)


Ao longo dos anos, a obra de Chico Buarque já foi relida inúmeras vezes, e pelos artistas das mais diversas vertentes. Mas, sem sombra de dúvida, nunca de maneira tão inusitada quanto no projeto Rock ‘N’ Chico — que levou sete anos até ver a luz do dia —, de Sérgio Vid, uma das melhores vozes da cena carioca dos anos 1980.

A idéia de Vid, ex-Sangue da Cidade — do sucesso “Brilhar a Minha Estrela (“Dá Mais Um)” — sobressaiu em relação a todas as abordagens anteriores das canções de Chico: regravá-las com uma roupagem roqueira. E com todas as letras vertidas para inglês (!).

O resultado é simplesmente estupendo. Produzido pelo tecladista PH Castanheira, o álbum apresenta excelente padrão sonoro. Dono de um inglês impecável, Vid continua com o vocal em plena forma. E respeitou a temática das letras de todas as dez faixas do álbum, lançadas entre 1968 e 1989. 

Apesar de não possuir resquício algum de samba em seu arranjo, “If You Know Who You Are (Partido Alto)”, que abre a bolacha, consegue conservar a malandragem da gravação original. Já a pungente “I Forgive You (Mil Perdões)” manteve a sua carga emocional preservada. Outro grande momento é a etérea “Two Brothers’s Hill (Morro Dois Irmãos)”, que finaliza o disco. Todavia, o destaque inconteste é “Women Of Athens”, épica versão de “Mulheres de Atenas”, cuja sonoridade lembra as grandiloquentes baladas do Led Zeppelin.

Fã ardoroso de Chico, Sérgio Vid revelou que o compositor — que, todos sabem, sempre foi admirador dos gêneros mais tradicionais da música brasileira — “adorou” o projeto. Não é para menos: independentemente da ousadia, Rock ‘N’ Chico, com lançamento previsto para janeiro de 2015, é um trabalho de alto nível. E pode despertar o interesse do mercado internacional de rock para o autor de “Vai Passar”.



Ouça a versão de Sérgio Vid para “Mulheres de Atenas:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Brilhar a Minha Estrela’, do Sangue da Cidade



(...) Vid, ex-Sangue da Cidade — do sucesso ‘Brilhar a Minha Estrela (Dá Mais Um)’...”




Em 1982, a quinta formação da banda Sangue da Cidade — já com o vocalista Sérgio Vid — gravou uma faixa que, antes mesmo de ter sido lançada comercialmente, se destacou na programação da lendária Rádio Fluminense FM, a “Maldita”. Era o matador “reggae de branco” — gênero popularizado mundialmente pelo Police a partir de seu primeiro álbum, Reggatta De Blanc [1979] — “Brilhar a Minha Estrela (Dá Mais Um)”, composição do guitarrista DiCastro.

Pouco tempo depois, a Warner convidou o grupo para participar de um “pau-de-sebo” — coletânea de vários artistas iniciantes — chamado “Rock Voador”, do qual também participaram nomes como Kid Abelha e o saudoso Celso Blues Boy, entre outros. Naquele mesmo ano, a empresa propôs a gravação de um compacto com a canção.

Decorridos 32 anos, “Brilhar a Minha Estrela” não datou. O vocal de Vid e a guitarra de DiCastro soam como se não tivesse transcorrido tanto tempo. Prova disso foi a inclusão da faixa na trilha sonora de Tropa de Elite I [2007], de José Padilha.



Ouça “Brilhar a Minha Estrela (Dá Mais Um)”, do Sangue da Cidade:

Da série ‘Fotos’: Antonio Carlos Jobim



Rua Nascimento Silva, 107...”


O primeiro verso de “Carta ao Tom ‘74”, de Toquinho e Vinícius de Moraes, menciona o antigo endereço de Antonio Carlos Jobim, no bairro de Ipanema — o qual não pude deixar de fotografar na última vez em que passei pelo local. 

Jobim nos deixou há exatos vinte anos — faleceu no dia 08 de dezembro de 1994, em Nova York. Mas não é clichê afirmar que as suas canções — que, a bem da verdade, o Brasil ainda não descobriu em sua totalidade — nos acompanharão para sempre. 

Afinal, ele mesmo cantou: “Longa é a arte / tão breve é a vida...

terça-feira, dezembro 02, 2014

‘The Art Of McCartney’, digna homenagem a uma obra imorredoura



CD duplo
The Art Of McCartney (Sony Music)
2014


Um álbum-tributo a Paul McCartney, uma das figuras mais importantes da música popular de todos os tempos, não poderia fazer por menos: precisa estar à altura do homenageado. Esta é a (árdua) tarefa do ambicioso CD duplo The Art Of McCartney, que apresenta regravações de 34 canções de (quase) todas as fases da carreira do ex-beatle — a mais “recente” é “No More Lonely Nights”, que está completando exatos trinta anos em 2014, presente em uma boa versão do The Airbourne Toxic Event.

Dentre os 31 artistas — três deles, Steve Miller, Billy Joel e o grupo Heart, ao contrário dos demais, regravaram duas músicas —, os melhores resultados foram alcançados por aqueles que souberam imprimir a própria “assinatura” nas canções de McCartney. É o caso do eterno beach boy Brian Wilson, que emociona em “Wanderlust”, de Tug Of War [1982], e de Willie Nelson, que, com uma interpretação sentida, transformou “Yesterday”, a faixa mais executada e regravada do mundo, em uma música... sua. O mesmo vale para Corinne Bailey Rae, que tratou “Bluebird”, de Band On The Run [1973], com a delicadeza necessária, e para a lenda viva B. B. King, visceral no obscuro blues “On The Way”, de McCartney II [1980].

Um dos trunfos do projeto é mostrar a versatilidade do autor, capaz de compor canções que soam naturais nas vozes de artistas de estilos tão distintos quanto o vocalista do The Who, Roger Daltrey (que deu conta do recado na bombástica “Helter Skelter”), o veterano Allen Toussaint (“Lady Madonna”) e o garoto-prodígio do jazz Jamie Cullum (absolutamente confortável em “Every Night”).

Contudo, nem tudo são acertos. Chrissie Hynde, vocalista do Pretenders, foi apenas OK em sua releitura de “Let It Be”. Nada comparável à arrasadora versão de James Taylor e Mavis Staple, que quase levou às lágrimas o próprio Macca, em 2010. Já a Harry Connick Jr. Foi boa: aproximar a bela “My Love” de um standard à La Sinatra. Falta-lhe, no entanto, um “pequeno” detalhe: uma voz como a dos Velhos Olhos Azuis. E Cat Stevens, que hoje atende pelo nome de Yusuf, não teve como competir com a magnífica versão original de “The Long And Winding Road”.

Por fim, se alguns figurões como Bob Dylan (mais rouco do que nunca em “Things We Said Today”) e Smokey Robinson (“So Bad”) marcaram presença, não há como não lamentar a ausência de outros que já colaboraram com Paul em algum momento de suas carreiras — como Stevie Wonder, Elvis Costello, Eric Clapton e Dave Grohl (Foo Fighters), entre outras. Todavia, as lacunas não invalidam The Art Of McCartney, digna homenagem a uma obra imorredoura, monumental. Tanto que, pasmem, ficaram de fora gemas como “Here There And Everywhere”, “And I Love Her”, “Another Day”, “Blackbird”, “Ebony And Ivory”, “Get Back”, “Penny Lane”...




Ouça “Bluebird”, na voz de Corinne Bailey Rae:





Ouça “Wanderlust”, na voz de Brian Wilson:

sábado, novembro 22, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Panamericana’, de Lobão



Parceria sua com o baixista Arnaldo Brandão (ex-A Outra Banda da Terra e Hanoi Hanoi) e o poeta Tavinho Paes, “Panamericana” abre o sexto álbum de estúdio de Lobão, Sob o Sol de Parador, editado em 1989 [no detalhe, a capa].

Na ocasião de seu lançamento, o cantor explicou:

— “Panamericana” fala sobre uma hipotética “República das Bananas” — no caso, Parador —, com 19 perguntas e nenhuma resposta.

De fato, a incisiva letra faz um resumo da (triste) história política da América Latina, enumerando vários de seus movimentos armados: os uruguaios Tupamaros, os argentinos Montoneros, o peruano Sendero Luminoso e os colombianos do 19 de abril (M-19), entre outros. A citação da famosa frase do guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, no refrão (“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”), evidentemente, foi pura ironia...

A síntese de “Panamericana” pode ser encontrada no segundo verso da canção, que questiona a fragilidade das instituições democráticas do continente: “O que é democracia ao sul do Equador?

Curiosidade: as também mencionadas Mães da Praça de Maio, do Chile, haviam sido homenageadas, dois anos antes, pelo U2, em “Mothers Of The Disappeared”, (de The Joshua Tree) e por Sting, em “They Dance Alone” (de ...Nothing Like The Sun).




Da série ‘Frases’: Winston Churchill


A democracia é o pior dos regimes — com exceção de todos os outros”.


Do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874 — 1965).



sábado, novembro 08, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Perfeição’, da Legião Urbana



Com todo respeito a Ary Barroso e a sua imorredoura “Aquarela do Brasil” — merecidamente considerada o “hino extra-oficial brasileiro” —, provavelmente nenhuma outra canção foi capaz de retratar o País (com o perdão da redundância) de modo tão perfeito do que “Perfeição”, da Legião Urbana.

Em sua letra discursiva, com clara influência do rap — Renato Russo revelou que o groove da faixa foi trazido ao estúdio pelo baterista Marcelo Bonfá em uma fita K7 —, nada escapa aos olhos de águia do líder da banda. A “estupidez do povo”, que, “a cada fevereiro e feriado” comemora “como idiotas”, sem necessariamente ter motivos para tal. A “violência” (“O meu país e sua corja de assassinos covardes / estupradores e ladrões”). A “desunião” da população. O “descaso por educação”. O estado deplorável da saúde pública (“Os mortos por falta de hospitais”). A crueldade da Previdência Social brasileira (“...a nossa gente / que trabalhou honestamente a vida inteira / e agora não tem mais direito a nada”). 

Também apontou problemas estruturais (“a água podre”), sociais (“a fome”), ambientais (“queimadas”) e as mazelas inerentes à natureza humana (a “hipocrisia”, a “inveja”, a “indiferença” e as “mentiras”). E, embora tenha lembrado que, apesar de tudo, existe algum patriotismo (“Vamos cantar juntos o Hino Nacional / a lágrima é verdadeira”), não poupou de crítica sequer... a si próprio (“Também podemos celebrar / a estupidez de quem cantou essa canção”).

Outro trecho digno de registro: “Vamos celebrar nossa bandeira”. Entre os “absurdos gloriosos” do passado a que o autor se refere, certamente se encontra a própria Proclamação da República — na verdade, um golpe militar. E vale frisar que, naquele momento, a família Real não apenas foi apeada do poder, como também banida do Brasil para sempre, além de ter todos os seus bens confiscados e, posteriormente, leiloados. Ou seja, naquele momento, o País saiu de um regime absolutista (a Monarquia) para ser governado por dois ditadores (os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto). E, a cada ano, a data é feriado nacional...

“Perfeição” foi lançada em 1993. Portanto, é um desalento constatar que, decorridos 21 anos, seus versos continuam tristemente atuais. E que, para nos tornarmos, de fato, uma nação, ainda há muito, muito a ser realizado.

A evocação aos mitos gregos também não foi gratuita: a menção a Eros e Thanatos (o Amor e a Morte) trata-se de uma menção velada à sua condição de soropositivo. E Perséfone e Hades representam, no caso, a chamada “síndrome de Estocolmo” — o estranho e inexplicável apego por alguém que lhe fez/faz mal. 

Já nas duas estrofes finais da canção — que citam a melodia de “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizada na voz de Elis Regina —, o cantor nos deixa uma mensagem de esperança (“Nosso futuro recomeça”). E exalta a verdade (“Só a verdade liberta / chega de maldade e ilusão”), remetendo-nos imediatamente ao Evangelho de João (8:32): “Conhecereis a verdade. E a verdade vos libertará”.

Parceria dos supracitados Russo e Bonfá com o guitarrista Dado Villa-Lobos, “Perfeição”, eterna obra-prima do rock nacional, integra o álbum O Descobrimento do Brasil [no detalhe, a capa], sexto e antepenúltimo álbum de estúdio da Legião Urbana. 




Veja o vídeo de “Perfeição:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Somos Todos Iguais nesta Noite’, de Ivan Lins



Faixa-título do sexto álbum de Ivan Lins, editado em 1977, “Somos Todos Iguais nesta Noite” traz uma série de mensagens subliminares referentes ao contexto político da época em que foi lançada — no caso, o governo do general Ernesto Geisel. Curiosamente, embora tenha sido o período do regime militar que marcou o início da abertura política, também foi quando ocorreu o caso Vladimir Herzog.

Escrita por Vitor Martins, parceiro mais constante de Ivan, a (capciosa) letra deixa claro, em linhas gerais, que, “no ensaio diário de um drama”, sempre resta à população... o “papel de palhaço” (“Olha nós outra vez no picadeiro...”).

Um dos aspectos mais interessantes, contudo, é justamente... o título da canção. Não importa região, etnia ou mesmo classe social: ninguém fica imune a uma governança equivocada. Ninguém. Portanto, somos todos iguais nesta “noite” — ou seja, no “breu” que temos que atravessar...

E, sendo assim, “vamos dançar mais uma vez...”



Ouça “Somos Todos Iguais nesta Noite:





Da série ‘Frases’: Victor Hugo


Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa”.


Do poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista francês Victor Hugo (1802 — 1885).



segunda-feira, setembro 15, 2014

‘Hope For The Future’, a nova música de Paul McCartney



Paul McCartney não para. Menos de um ano após o lançamento de New, seu mais recente álbum de inéditas, o ex-Beatle anuncia uma nova faixa, a épica “Hope For The Future”.

Produzida por Giles Martin, filho do lendário George Martin — e produtor de algumas faixas de New —, “Hope” foi composta, pasmem, para a trilha sonora do game Destiny, disponível nos consoles PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360 e Xbox One. Além da canção, o músico auxiliou a equipe nas orquestrações do jogo.

E adivinhem quanto McCartney recebeu pela empreitada? Nem um tostão. Segundo Eric Osborne, diretor de comunidades da Bungie — empresa que desenvolveu Destiny —, embora o autor de “The Long And Winding Road” seja um artista conhecido no mundo inteiro, ele ficou bastante interessado pela oportunidade de ser ouvido por público que “habitualmente, não tem proximidade com a sua música”. Ponto para ele.

Em seu site oficial, Paul publicou uma nota afirmando que “Hope” será lançada comercialmente “em breve”. Contudo, não explicou se chegará às lojas através de um single ou se será incluída em uma versão “extended” do supracitado New, prometida ainda para 2014. A conferir.



Ouça “Hope For The Future:



sábado, setembro 06, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Forever Young’, de Rod Stewart



Por mais que soe clichê, a verdade é uma só: para um pai, seu filho será sempre um menino — ainda que ele esteja quase da sua altura. Essa (belíssima) canção de Rod Stewart — lançada em Out Of Order [1988], seu 15º disco de estúdio — fala exatamente sobre isso. 

Sendo assim, dedico-a ao meu filho, que está aniversariando hoje.



Que o bom Deus esteja com você em cada estrada que você trilhe.
Que a luz do sol e a felicidade o envolvam quando você estiver longe de casa.
E que você cresça para ser orgulhoso, digno e sincero
e faça para os outros como você teria feito para si mesmo.”



Curiosidade: Stewart, um dos autores de “Forever Young”, deu créditos a Bob Dylan, por ter utilizado trechos da letra da canção homônima, escrita pelo poeta americano para o álbum Planet Waves [1974].



sábado, agosto 30, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Deusa do Amor’, de Pepeu Gomes



Em um país desmemoriado como o nosso, é provável que poucas pessoas recordem que Pepeu Gomes, além de um dos mais brilhantes guitarristas brasileiros, também já foi um hitmaker — e dos bons.

Entre o final dos anos 1970 e a metade da década seguinte, o ex-garoto prodígio dos Novos Baianos enfileirou sucessos como “Mil e uma Noites de Amor”, “Eu Também Quero Beijar”, “Fazendo Música, Jogando Bola” e “Ela É Demais”, entre outros. 

E, para provar que as boas canções pop não perecem jamais, “Deusa do Amor”, de seu sexto álbum solo, Masculino e Feminino [1983] — cuja faixa-título, aliás, também obteve grande execução radiofônica na época —, integra a trilha sonora de Boogie Oogie, atual novela global das seis.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Sem Pecado e sem Juízo’, de Baby Consuelo


É inevitável: não há como mencionar Pepeu Gomes sem lembrar de Baby Consuelo. Além de parceiros musicais, os ex-membros dos Novos Baianos foram casados durante 18 anos e tiveram seis filhos.

Na década de 1990, após se tornar evangélica, adotou o nome artístico de Baby do Brasil e enveredou pelo gospel. Antes disso, porém — no exato período em que Pepeu era presença constante nas FMs — foi bem-sucedida com um repertório secular do calibre de “Barrados na Disneylândia” (inspirada em um fato real), “Cósmica”, “Menino do Rio” (por sinal, a versão definitiva da canção de Caetano Veloso) e, claro, a bela “Sem Pecado e sem Juízo (Tudo Azul)”, faixa título de seu sétimo álbum solo [1985]. Rá!


quinta-feira, agosto 14, 2014

Eduardo Campos (1965 — 2014)



A perda humana é, sem dúvida alguma, o aspecto mais doloroso do súbito e trágico desaparecimento de Eduardo Campos. Afinal, o candidato à presidência pelo PSB era um homem de 49 anos recém-completados, pai de cinco filhos — sendo um de apenas seis meses. Contudo, a lacuna política também é algo a se lamentar.

Governador reeleito de Pernambuco com mais de 80% de aprovação, Campos despontava como uma figura respeitada e extremamente promissora — em especial, na região Nordeste. Com cerca de 10% de intenções de voto nas eleições presidenciais desse ano, provavelmente não chegaria ao segundo turno. Entretanto, com a visibilidade nacional que a atual candidatura lhe proporcionaria, o neto de Miguel Arraes certamente seria um nome fortíssimo para o pleito de 2018.

Por tudo isso, é natural que familiares, amigos, correligionários, eleitores e até opositores estejam chocados com a sua precoce saída de cena. A vida pública brasileira fica (ainda mais) empobrecida sem ele.

Da série ‘Fotos’: Vincent van Gogh


Com o auxílio de ferramentas de edição de imagem, o fotógrafo e arquiteto lituano Tadao Cern transformou o famoso auto-retrato de Vincent van Gogh em uma foto moderna do pintor holandês. O resultado é simplesmente... espantoso.

Van Gogh certamente se orgulharia.



Da série ‘Frases’: Paulo Coelho


Sou um exilado cultural do Brasil. O país me decepciona em vários sentidos.”


Do escritor Paulo Coelho, em entrevista à revista Época, em abril de 2014.


quarta-feira, junho 11, 2014

Caetano Veloso em versão iTunes



EP digital
iTunes Session (Universal)
2014




Caetano Veloso foi o escolhido para o primeiro volume brasileiro do iTunes Session, série que, no exterior, já teve títulos dedicados ao Wilco, a Colbie Caillat e ao The Black Keys, entre outros. Gravado ao vivo no estúdio no final de outubro de 2013, o EP está disponível somente em formato digital, no iTunes.

Em oito faixas, Caê consegue fazer um resumo, sem concessões, de sua carreira de quase meio século, desde o primeiro samba que compôs, “De Manhã” — que aparece pela primeira vez em um disco seu —, até as relativamente recentes “Livros” [de Livro, 1997] e a introspectiva “Por Quem?” [Zii e Zie, 2009]. O período da ditadura militar foi lembrado na bela “Lost In The Paradise” [1969] e a latinidad foi mencionada na ancestral mexicana “Cucurrucucu Paloma” [1954], que já havia sido regravada pelo baiano em Fina Estampa Ao Vivo [1995].

O único hit do álbum é “Coração Vagabundo”, de Domingo [1967], disco de estréia que dividiu com Gal Costa. Completam o repertório “13 de Maio” [de Noites do Norte, 2000] e “Samba da Cabeça”, lançada em um obscuro compacto de 1978 — e que apareceu posteriormente na coletânea de “lados B” Certeza da Beleza [2009].

Embora não seja um item imprescindível na discografia de Caê, iTunes Session mostra um artista orgulhoso de sua trajetória, mas, ao mesmo tempo, preocupado em fugir do óbvio. Ponto para ele. Que venham as próximas edições da série.




Ouça a versão de “De Manhã” do iTunes Session



Da série ‘Fotos’: ‘Tudo junto’


Essa imagem ilustra com perfeição a mentalidade de uma parcela significativa da população brasileira: preguiça, burrice, desleixo e desrespeito — tudo junto.


sexta-feira, maio 30, 2014

Em seu sexto álbum, Coldplay ressurge plácido e levemente eletrônico



CD
Ghost Stories (Warner)
2014



Três anos após Xylo Myloto, o Coldplay ressurge com Ghost Stories, seu sexto álbum de inéditas. Nesse intervalo, o quarteto inglês editou a (bem-sucedida) dobradinha CD/DVD Live 2012.

Se o disco anterior soava “grandiloquente”, na bolacha recém-lançada a banda aparece plácida e levemente eletrônica. E emociona em canções altamente melódicas e de letras pungentes como “Ink”, “True Love”, “Always In My Head” e a melancólica “O”, que finaliza os trabalhos. Nas etéreas “Another’s Arms” e “Midnight”, paira a influência de Brian Eno, um dos maiores expoentes da ambient music, produtor de Viva La Vida or Death And All His Friends [2008], antecessor do supracitado Xylo Myloto.

Essa introspecção, por sinal, tem nome e sobrenome: Gwyneth Paltrow. Depois de onze anos de casamento e dois filhos, o vocalista Chris Martin e a atriz americana decidiram se separar. E Martin não escondeu que o desenlace influiu decisivamente na concepção do CD. A capa, inclusive, mostra um par de asas quebradas. Mas também pode sugerir a imagem de um coração partido.

O ponto alto do álbum, disparado, é a irresistível “Magic”, já em alta rotação nas FMs. Destaque também para a mais “animada” do álbum, “A Sky Full Of Stars”, a despeito da batida house um tanto datada. Nada, entretanto, que ofusque o seu brilho — ou que um bom remix não resolva. 

Graças à astúcia do Coldplay, o outonal Ghost Stories já chega “familiarizado” aos ouvintes pelas quatro (!) faixas de trabalho já lançadas — ou seja, quase metade das nove canções que formam o disco. Independentemente das estratégias de marketing, trata-se de um bom álbum, que certamente fará muito sucesso. Contudo, não supera o já mencionado Viva La Vida or Death And All His Friends, no qual Martin e companhia deram uma guinada de 180º, trocando as baladas-pop-ao-piano por arranjos mais ambiciosos.



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O que o Coldplay conseguiu em “A Sky Full Of Stars”, terceiro single de Ghost Stories, é digno de registro. Apesar do equivocado arranjo house, poucas faixas dançantes conseguiram, ao mesmo tempo, ser tão tocantes como essa:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Magic’, do Coldplay



Altamente infecciosa, “Magic”, primeiro single de Ghost Stories, sexto álbum de estúdio do Coldplay, é o tipo de canção que provavelmente ninguém consegue ouvir apenas uma vez. Afinal, é “amor à primeira audição”.

Com um suave — e convincente — balanço soul (de branco) e bons falsetes do vocalista Chris Martin, a faixa não soaria deslocada em um disco de George Michael, por exemplo. E, além de honrar a tradição britânica de impecáveis melodias pop, já entrou irremediável e instantaneamente para a galeria de hits do quarteto. 



Veja o vídeo oficial de “Magic”, uma singela homenagem ao cinema mudo:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Paradise’, do Coldplay


A estupenda “Paradise” foi a faixa de maior sucesso de Xylo Myloto [no detalhe, a capa], de 2011, quinto álbum do Coldplay. E, embora a letra não seja nada do outro mundo, esse é o tipo de canção que precisa ser ouvida com fones de ouvido — para que todas as minúcias de sua gravação sejam percebidas.

Ao longo dos quatro minutos e meio de duração da faixa, o arranjo passeia, com naturalidade, entre dois extremos. Entre o piano de cauda e os teclados “grandiosos”, típicos do rock progressivo. Entre sequenciadores e música de câmara. Entre vocais delicados e de arena. Entre o minimalismo e o épico — culminando em um refrão simples, porém... arrebatador. Chega a comover — de tão engenhoso.

Paradise”, decididamente, corrobora a lição que os Beatles nos deixaram lá atrás: que a música pop pode, sim, ser uma forma de arte.




Veja o vídeo oficial de “Paradise”. E observem a sua exuberante fotografia:


Da série ‘Frases’: Benjamin Disraeli

Never complain. Never explain.”


É bem verdade que boa parte do charme do aforismo do político e escritor Benjamin Disraeli (1804 — 1881), reside na semelhança fonética das palavras — que acaba se perdendo na tradução para português.


sábado, maio 17, 2014

‘Shadows In The Night’: o novo álbum de Bob Dylan



Esta semana, sem dar maiores detalhes, Bob Dylan divulgou, em seu site oficial, a suposta capa de seu novo álbum de estúdio, Shadows In The Night [acima], o 36º (!) de sua carreira de mais de meio século. 

Além disso, o sr. Zimmerman também revelou sua mais recente gravação, “Full Moon And Empty Arms”, faixa composta por Buddy Kaye e Ted Mossman em 1945, que já recebeu várias versões — sendo a mais famosa delas a de Frank Sinatra.

A assessoria do autor de “Like a Rolling Stone” só informa que, sim, Dylan lançará um trabalho novo ainda em 2014. E que, sim, “Full Moon...” será incluída no repertório. Especula-se que seja um álbum de covers. A conferir.




Ouça a versão de Bob Dylan para “Full Moon And Empty Arms:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Appreciate’, de Paul McCartney



O arranjo eletrônico de “Appreciate”, de Paul McCartney, surpreende o ouvinte já na primeira audição. E o recém lançado vídeo promocional só beneficia a canção — a terceira faixa de trabalho de New, o mais recente álbum de inéditas do ex-Beatle.

No audiovisual, cuja ação se passa em um futuro longínquo, McCartney é uma das “peças” expostas no chamado “Museu do Homem”. E, subitamente, começa a “interagir”, esbanjando desenvoltura, com o “visitante” do local: um enorme robô (!) chamado Newman.

É o nosso bom velho Macca, prestes a completar 72 anos, totalmente conectado — desculpem: o trocadilho foi inevitável — com os novos tempos.



Leia também:





Veja o (ótimo) vídeo oficial de “Appreciate:

quarta-feira, maio 14, 2014

Alexandre Pessoal (1974 — 2014)



Alexandre Pessoal foi meu contato no Facebook durante muito tempo. Precisamente até o momento em que decidiu excluir o perfil e criar uma página (sem trocadilho) pessoal. Foi ele, aliás, quem me adicionou — possivelmente por causa do meu blog. Na ocasião, confesso que não conhecia o seu trabalho à frente do bloco Fica Comigo. E fiquei surpreso — e, claro, muito honrado — quando me dei conta de quem ele era filho.

Por timidez de ambas as partes, não chegamos a trocar uma única palavra no período em que estivemos adicionados. Mas é evidente que eu prestava atenção nas postagens dele. É provável que ele também visse as minhas. Vascaíno roxo como o pai, ele jamais escondeu o seu entusiasmo pelo time da Colina.

Portanto, foi com enorme consternação — e não poderia ser de outra forma — que recebi a notícia de seu trágico desaparecimento. Parecia um cara alegre. Cheio de vida. E tinha exatamente a minha idade.

Que ele possa descansar eternamente em paz. E que Deus conforte o Tremendão e seus familiares nesse momento tão difícil.




Ouça a bela “Primogênito”, do álbum Mulher [1981], na qual Erasmo homenageia Alexandre — que era o seu filho mais velho:

sábado, abril 12, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Tempos Modernos’, de Lulu Santos



Tempos Modernos”, de Lulu Santos, é um caso singular, poucas vezes visto na música pop. Além de ser a faixa-título, é também a música que abre o álbum de estréia do compositor carioca, editado em 1982 [acima, a capa]. E tornou-se, logo de cara, uma das canções mais emblemáticas de sua carreira — daquelas que o artista simplesmente não pode excluir do roteiro de suas apresentações. Ou seja, foi como se Lulu já tivesse chegado “com o pé na porta”.

Rara composição solitária de um período em que Lulu recorria aos préstimos de letristas como Nelson Motta e Fausto Nilo, “Tempos...” possui uma (atemporal) mensagem de esperança* no porvir e no amor — a despeito da “hipocrisia / que insiste em nos rodear”. Esperança que, aliás, sempre se renova — o que ajuda a entender a comoção popular que faixa tem exercido em mais de três décadas, visto que o refrão nem é tão “infeccioso” assim. Nesse quesito, não podemos compará-la, por exemplo, a “Casa”, lançada por músico em 1986.

Tempos Modernos” já foi regravada pelo autor em seus ótimos Acústico MTV [2000] e MTV Ao Vivo [2004]. E também recebeu releituras de Zizi Possi, Marisa Monte, Zé Ramalho, Jota Quest, Ivete Sangalo e da dupla Claudinho e Buchecha, entre outros. O título — vale frisar que a expressão não é mencionada na letra em momento algum — alude ao filme homônimo de Charlie Chaplin, que chegou às salas de cinema em 1936.



Nota: além de ser uma canção da qual sempre lembro quando faço aniversário (afinal, também “vejo a vida melhor no futuro”; nunca fui nostálgico), “Tempos...” também foi a música que coloquei para o meu filho “ouvir”, logo que ele chegou da maternidade. Na ocasião, não me ocorreu nenhuma outra mensagem mais otimista para alguém “recém-chegado ao planeta” do que esta. Anos depois, soube que Herbert Vianna havia feito o mesmo com um de seus filhos — tendo escolhido o clássico beatle “All You Need Is Love” para marcar o momento. 



“...e não há tempo que volte...”



Veja o (raríssimo) vídeo oficial de “Tempos Modernos”, gravado nas cidades mineiras de Ouro Preto e Mariana:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Ternura dos Quarenta’, de Paco Bandeira


Até o prezado momento, apenas as pessoas próximas sabiam: no ano de 1998, morei seis meses em Portugal. E cogitei ficar de vez. Mas acabei regressando. De qualquer forma, posso assegurar: ter contato com costumes tão diferentes dos nossos — e com uma sociedade na qual a cidadania não é mera utopia — modificou o meu modo de ser. Para sempre.

Além de ter me encantado com o país em si, sua gastronomia e a acolhida calorosa a tudo que se refere ao Brasil, fiquei bastante surpreendido com a música popular lusa. Desde então, passei a me perguntar por que, entre outros, cantores como Rui Veloso e Luís Represas são praticamente desconhecidos no Brasil. “O sotaque”, alguém certamente responderia/responderá. Não se iludam com isso: também existem diferenças de sotaque entre britânicos e americanos — e isso jamais impediu o intercâmbio musical entre os dois países.

Sobretudo, devemos considerar — conforme frisei acima — que tudo que é brasileiro é (muito) bem recebido em Portugal. E isso, naturalmente, inclui a música. Entretanto, deixemos esse assunto para outra ocasião...

Um dos artistas que mais chamou a minha atenção — e nem se trata propriamente de um músico pop — foi Paco Bandeira [foto]. Com seu canto suave, quase falado, Paco tem mais de quatro décadas de carreira e inúmeros sucessos, como “Um Livro Chamado Inês”, “Ó, Elvas, Ó, Elvas” (em homenagem à sua cidade natal, situada na região do Alentejo) e, claro, a maravilhosa “Minha Quinta Sinfonia”, que, além de citar Beethoven no título, também menciona, entre outros, Jacques Brel, Frank Sinatra, François Truffaut e Federico Fellini, sem esquecer os brasileiros Vinícius de Moraes, Nara Leão e Antonio Carlos Jobim. Contudo, é impossível não destacar a estupenda “Ternura dos Quarenta”.

Repleto de inspiração, Paco reflete sobre os anos passados (“Foram tantas as idades / da vida que atrás deixei”), relembrando os momentos vividos e desperdiçados (“Tive o tempo e não senti”). Todavia, sua visão não é nostálgica (“Não quero sentir saudade”): a narrativa olha para a frente (“Para seguir viagem / com a coragem que é preciso”).

Dado o lirismo da letra de “Ternura dos Quarenta”, peço, embevecido, licença ao autor para transcrevê-la na íntegra.




Ternura dos Quarenta

(Paco Bandeira)


Quando penso que passei fronteiras de solidão, 
tinha para dar e não dei.
Olhei para trás e pensei:
“Não tenho nada na mão”.

Tive o tempo e não senti. 
Tive amores e não amei. 
Os amigos que perdi 
e as loucuras que vivi 
são tantas que já não sei

quem eu era, 
quem sou eu 
e quem pareço.
Se alguém hoje me espera, 
com certeza que mereço.
Mereço ainda, amor, a tua presença, 
para enfrentar a vida
com a ternura dos quarenta.

Foram tantas as idades 
da vida que atrás deixei. 
Não quero sentir saudades: 
Vou em outras amizades
amar o que não amei.

Os copos que não bebi, 
os discos que não toquei, 
os poemas que não li, 
os filmes que nunca vi, 
as canções que não cantei.

Meus amigos, importante é o sorriso —
para seguir viagem 
com a coragem que é preciso.
Não adianta deitar contas* à vida:
a ternura dos quarenta não tem conta...

Nem medida.


* Deitar contas: fazer planos.



Veja o vídeo de “Ternura dos Quarenta: